{"id":170,"date":"2012-06-19T15:57:39","date_gmt":"2012-06-19T17:57:39","guid":{"rendered":"https:\/\/cga.libertar.org\/?p=170"},"modified":"2012-06-20T13:26:09","modified_gmt":"2012-06-20T15:26:09","slug":"sistematizacao-das-discussoes-do-ega-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cga.libertar.org\/?p=170","title":{"rendered":"Sistematiza\u00e7\u00e3o das discuss\u00f5es do EGA-DF 2012"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo segue a proposta de sistematiza\u00e7\u00e3o do Encontro de Grupos Aut\u00f4nomos do DF de 2012 (EGA). Ponto inicial para a reuni\u00e3o p\u00f3s-EGA marcada para o dia<strong> 30\/06\/2012 (S\u00e1bado). Ed. Baracat, sala 111 CONIC, \u00e0s 15 horas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong>Esperamos que a partir deste texto possamos trazer novos elementos e dar prosseguimento \u00e0s in\u00fameras possibilidades pol\u00edticas que possamos ter conjuntamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Para baixar)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><a href=\"https:\/\/cga.libertar.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Sistematizacao-Autonomia-EGA.doc\">Sistematizacao Autonomia EGA &#8211; (Doc)<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><a href=\"https:\/\/cga.libertar.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Sistematiza\u00e7\u00e3o-Autonomia-EGA.pdf\">Sistematiza\u00e7\u00e3o Autonomia EGA &#8211; (PDF)<\/a><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>Encontro de Grupos Autonomos &#8211; DF: 01, 02 e 03 de Junho 2012<\/strong><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>Sistematiza\u00e7\u00e3o da discuss\u00e3o de 02 de junho: O que \u00e9 Autonomia?<\/strong><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Princ\u00edpios<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Movimento Aut\u00f4nomo surgiu no DF tendo por base uma s\u00e9rie de princ\u00edpios. Em muitas ocasi\u00f5es eles n\u00e3o foram formalizados, o que gerou diferentes problemas: muitas tornavam-se personalizados, e quem tivesse maior capacidade ou paci\u00eancia de compreend\u00ea-los\/decor\u00e1-los constitu\u00eda sobre si algum poder; outras vezes,\u00a0 eles se tornavam muito fluidos, quase gelatinosos: e, por melhor que seja deixar criativa e aberta a defini\u00e7\u00e3o dos caminhos da autonomia, tantas coisas cabiam dentro dela que ficava muito dif\u00edcil se vincular, ou mesmo saber as diverg\u00eancias existentes dentro do movimento. Por conta desses dois problemas, tornava-se muito dif\u00edcil pras pessoas que queriam vincular seu grupo ao movimento saber por onde faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim o movimento aut\u00f4nomo &#8211; que nos \u00faltimos dez anos cresceu e tornou-se refer\u00eancia no DF &#8211; acabou principalmente divulgando um tipo de organiza\u00e7\u00e3o e alguns princ\u00edpios, sem desenvolver-se tanto de forma org\u00e2nica, fortalecendo os v\u00ednculos que sempre estimulou. Por isso discutimos e juntamos um conjunto inicial de princ\u00edpios que sirvam como refer\u00eancia e possibilidade de cr\u00edtica para podermos avan\u00e7ar. S\u00e3o nosso ch\u00e3o e n\u00e3o nosso c\u00e9u. E podem ser o ch\u00e3o de muitas pessoas mais, quantas quiserem a este movimento se somar<strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Nossos princ\u00edpios s\u00e3o: <\/strong><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>1. Horizontalidade: <\/strong>Os poderes devem estar ao alcance de toda coletividade do movimento, e influenciar a coletividade da sociedade. A horizontalidade n\u00e3o pode ser considerada como espont\u00e2nea ou natural, mas sim constru\u00edda por mecanismos reais como o compartilhamento de conhecimento e revezamento de tarefas.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>2. Anticapitalismo: <\/strong>O Movimento Aut\u00f4nomo tem um horizonte de destrui\u00e7\u00e3o deste sistema social. Seja entendendo-o desde sua matriz econ\u00f4mica de expropria\u00e7\u00e3o do trabalho, seja no entendimento do capitalismo como um sistema que aglutina o conjunto das lutas dos movimentos ambientais, feministas, \u00e9tnicos, oper\u00e1rios. Uma autonomia que n\u00e3o aponte para este caminho \u00e9 liberal, o contr\u00e1rio do que estamos construindo.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>3. Independ\u00eancia do mercado e do Estado: <\/strong>estamos dentro desta sociedade, por\u00e9m, contra ela. N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o temos rela\u00e7\u00f5es com os elementos gerais desta sociedade em nosso desenvolvimento. Todavia devemos reservar a capacidade de nossas lutas de terem suas escolhas e formula\u00e7\u00f5es constru\u00eddas de forma independente das movimenta\u00e7\u00f5es de mercado e das din\u00e2micas do estado. Independ\u00eancia financeira \u00e9 determinante para a independ\u00eancia pol\u00edtica. Igualmente, autonomia na hora de decidir \u00e9 fundamental para criarmos nossa pol\u00edtica plenamente assumindo os riscos e benef\u00edcios dela.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>4. Forma \u00e9 Conte\u00fado: <\/strong>as lutas e movimenta\u00e7\u00f5es devem ter o horizonte emancipat\u00f3rio em seus objetivos a alcan\u00e7ar e em suas formas de conquistar esses objetivos. Trata-se de um principio que levamos n\u00e3o apenas pra nossa milit\u00e2ncia mas tamb\u00e9m para as nossas vidas.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>4. Solidariedade para a transforma\u00e7\u00e3o social: <\/strong>sabendo quem s\u00e3o nossos aliados\/as, advers\u00e1ri@s e inimigos, devemos estabelecer rela\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias entre n\u00f3s como forma de nos ajudarmos em nosso florescimeno. Com solidariedade entre n\u00f3s, podemos ser construtivos e agir em coletividade.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>5. Apartidarismo: <\/strong>Discordamos do modelo de organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria em suas diferentes formas (a social-democrata, a bolchevique, a tradicional). Seja como forma de disputar o poder legal, como estrat\u00e9gia para tom\u00e1-lo ou como forma de existir politicamente. Vemos nestas estrat\u00e9gias de luta elementos de burocratiza\u00e7\u00e3o inerentes. <em>(pensar a discuss\u00e3o sobre apartidarismo x anti-partidarismo)<\/em><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>6. Autocr\u00edtica: a<\/strong> capacidade de se analisar e se criticar deve ser aberta a toda coletividade, sendo uma pr\u00e1tica constante como uma forma efetiva da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se burocratizar. Mas com cuidado constante para n\u00e3o se autodestruir.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>7. Nossa luta n\u00e3o \u00e9 dogm\u00e1tica, ortodoxa. <\/strong>A capacidade de relermos nossas formas de atua\u00e7\u00e3o com base nas autocr\u00edticas \u00e9 um elemento de amadurecimento do movimento e n\u00e3o de desvio dos princ\u00edpios e miss\u00f5es aos quais nos destinamos.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>8. Trabalho de Base: <\/strong>agimos com a parte de baixo da sociedade, junto \u00e0s bases deste sistema social. Queremos construir outro poder em que o poder seja coletivizado \u00e0 base da sociedade que hoje quase n\u00e3o tem acesso a ele. Por isso nossa forma de trabalho deve estar vinculada \u00e0s bases sociais e aos grupos oprimidos, buscando emancipa\u00e7\u00e3o coletiva.<em><\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Reflex\u00f5es: <\/em><\/strong><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>Sobre a horizontalidade<\/em><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/em><\/strong>Construir rela\u00e7\u00f5es de poder n\u00e3o opressoras e de fato democr\u00e1ticas dentro dos nossos coletivos \u00e9 um aspecto fundamental dos grupos aut\u00f4nomos, j\u00e1\u00a0 que n\u00e3o queremos reproduzir nos nossos espa\u00e7os as estruturas que queremos destruir fora deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos, no entanto, que a horizontalidade n\u00e3o acontece nem espontaneamente nem de forma linear. Para constru\u00ed-la, precisamos criar mecanismos internos de controle do poder, j\u00e1 que a aus\u00eancia deste n\u00e3o existe, e s\u00f3 uma atua\u00e7\u00e3o consciente dos grupos para control\u00e1-lo e distribu\u00ed-lo manter\u00e1 a horizontalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cria\u00e7\u00e3o desses mecanismos foi apontada como um desafio dos grupos aut\u00f4nomos: eles variar\u00e3o de grupo para grupo, e n\u00e3o existe uma receita pronta ou uma f\u00f3rmula \u00fanica para se criar altern\u00e2ncia e fluidez de poder.\u00a0 Entre as dificuldades encontradas est\u00e3o: o fato de algumas tarefas terem mais prestigio do que outras, e muitas vezes elas serem executadas pelas mesmas pessoas e a quest\u00e3o da hierarquia da experi\u00eancia, uma das mais dif\u00edceis de romper, j\u00e1 que militantes mais antigos\/as tem um ac\u00famulo\u00a0 maior dentro do movimento e o processo de compartilhamento desses conhecimentos oscila entre a falta de paci\u00eancia com quest\u00f5es trazidas pelos\/as mais novos\/as e uma perda da profundidade de discuss\u00f5es j\u00e1 feitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da horizontalidade n\u00e3o depender apenas de formalidades para ser constru\u00edda, algumas pr\u00e1ticas b\u00e1sicas foram sugeridas: \u00a0a marca\u00e7\u00e3o do tempo de fala e o revezamento na execu\u00e7\u00e3o das atividades enquanto recurso pedag\u00f3gico, e tamb\u00e9m a delega\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es, vista como fundamental para a efic\u00e1cia dos movimentos e diferenciada da hierarquia j\u00e1 que o controle do grupo sob o\/a respons\u00e1vel se mant\u00e9m. Exemplos como o sistema de governo Zapatista tamb\u00e9m foram citados, como inspira\u00e7\u00e3o para este processo de delega\u00e7\u00e3o de poderes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Sobre a autonomia x auto-sufici\u00eancia<\/em><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A autonomia que constru\u00edmos \u00e9 pautada pela solidariedade e n\u00e3o por uma suposta auto-sufici\u00eancia. Ao contr\u00e1rio da autonomia liberal, que prega o sucesso do homem que venceu sozinho, o nosso projeto pol\u00edtico inclui depender do m\u00e1ximo de pessoas e coletivos poss\u00edveis, tornando nossa rede cada vez mais forte e menos vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa &#8220;depend\u00eancia&#8221;, na verdade uma rede de solidariedade entre os diversos grupos aut\u00f4nomos, \u00e9 muito diferente das rela\u00e7\u00f5es com o Estado. O Estado \u00e9 essa estrutura que sintetiza as opress\u00f5es que estamos combatendo e, como tal, possui uma serie de praticas que, desde as menores instancias, refor\u00e7am e constroem um projeto pol\u00edtico oposto ao nosso. Assim, qualquer tipo de intera\u00e7\u00e3o com o Estado deve considerar que tentar subverter suas estruturas \u00e9 tamb\u00e9m entrar em uma l\u00f3gica que queremos destruir e deve pautada pela total independ\u00eancia, sempre considerando o principio j\u00e1 citado de que independ\u00eancia financeira \u00e9 independ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o implica em dizer que todos os grupos devem recusar financiamentos de editais, por exemplo. Esta \u00e9 o tipo de decis\u00e3o que caber\u00e1 a cada grupo tomar. Mas essa intera\u00e7\u00e3o deve ser feita com todo o cuidado e consci\u00eancia dos riscos envolvidos, de forma que n\u00e3o sejamos engolidas pelas engrenagens estatais, mantendo, portanto, nossa autonomia.\u00a0 <strong><em><\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Sobre a import\u00e2ncia da mem\u00f3ria<\/em><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>Talvez uma das grandes dificuldades dos movimentos aut\u00f4nomos do DF \u00e9 resgatar e preservar a mem\u00f3ria de tudo o que constru\u00edmos at\u00e9 agora. A nossa mem\u00f3ria, \u00e9 parte fundamental do que somos e nos diz muito sobre como e porque chegamos aonde chegamos.\u00a0 deix\u00e1-la de lado \u00e9 entregar, mais uma vez, nas m\u00e3os de nossos inimigos a possibilidade de construir a historia como eles bem entendem, uma historia dos de acima, uma historia que renega o papel dos movimentos sociais na conquista de direitos e que invisibiliza os diversos processos anti-sist\u00eamicos correntes mundo a fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa nossa falta de mem\u00f3ria nos traz, tamb\u00e9m, uma serie de implica\u00e7\u00f5es internas: muitas vezes dificuldades encontradas por um coletivo s\u00e3o dificuldades que outros movimentos j\u00e1 enfrentaram e o compartilhamento dessas experi\u00eancias pode impedir com que estejamos constantemente reinventando a roda. Essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito nociva, tanto para os\/as militantes mais antigos\/as, que sentem que muitas vezes n\u00e3o se consegue sair do lugar, como para os pr\u00f3prios movimentos que constantemente perdem toda a profundidade de discuss\u00f5es j\u00e1 feita de forma muitas vezes bastante elaborada. Preservar nossa mem\u00f3ria, portanto, implica tamb\u00e9m em construir rela\u00e7\u00f5es horizontais, de forma que o conhecimento j\u00e1 produzido pelo movimento aut\u00f4nomo esteja dispon\u00edvel e possa ser apropriado por todos e todas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Sobre as praticas de nossos grupos<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conversando sobre as praticas internas de nossos grupos, pontuamos algumas quest\u00f5es consideradas fundamentais. Em primeiro lugar, o uso do consenso como m\u00e9todo preferencial de decis\u00e3o, ainda que n\u00e3o deva existir a obrigatoriedade de que seja o \u00fanico. O consenso requer confian\u00e7a que estamos todos\/as trabalhando em prol de um mesmo projeto pol\u00edtico. Por outro lado, muitas vezes deixa-se de evidenciar algumas diverg\u00eancias no grupo ou de aprofundar algumas discuss\u00f5es em nome de um &#8220;purismo&#8221; do consenso. Por isso utilizar o voto pode ser interessante em determinados momentos e n\u00e3o deve virar um tabu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda no \u00e2mbito da confian\u00e7a, comentamos que existe uma pratica generalizada de indisciplina dentro dos movimentos aut\u00f4nomos que \u00e9 extremamente nociva e desestimulante. O comprometer-se com tarefas e n\u00e3o cumpri-las cotidianamente abala a confian\u00e7a dos e das integrantes que est\u00e3o de fato se empenhando em concretizara s decis\u00f5es do movimento, alem de torn\u00e1-lo profundamente ineficaz. Alem disso, uma cultura de fazer as coisas dos movimentos com desleixo tamb\u00e9m esta muito difundida e precisa ser modificada de forma que possamos alcan\u00e7ar com o pouco que temos o melhor resultado poss\u00edvel. Na falta de um termo melhor, chamamos essa nova pratica que pretendemos construir de &#8220;cultura de excel\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto citado como uma pratica dos movimentos aut\u00f4nomos foi a grande presen\u00e7a do elemento l\u00fadico em nossas a\u00e7\u00f5es. Ao contrario de outros grupos, no movimento aut\u00f4nomo o l\u00fadico n\u00e3o se separa do pol\u00edtico: eles s\u00e3o a mesma coisa. Assim, discordamos de grupos que utilizam de uma certa est\u00e9tica atraente, mas vazia de conte\u00fado pol\u00edticos, como os que dizem por ai que &#8220;n\u00e3o s\u00e3o de esquerda nem de direita&#8221; na tentativa de serem palat\u00e1veis para mais gente.\u00a0 A nossa est\u00e9tica \u00e9 pol\u00edtica e nossa pol\u00edtica \u00e9 est\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refletimos tamb\u00e9m acerca da longevidade dos grupos aut\u00f4nomos: nesses anos, uma serie de coletivos surgiram e se acabaram, muitos deles com vidas muito breves. Essa breve dura\u00e7\u00e3o \u00e9 muitas vezes nociva, j\u00e1 que uma serie de projetos ficam inacabados e acabamos n\u00e3o conseguindo avan\u00e7ar em lutas mais a longo prazo como a que estamos querendo construir. Por outro lado, \u00e9 importante que os grupos estejam se renovando constantemente e que n\u00e3o se mantenham com base em um suposto passado glorioso de lutas, mas sem atua\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, falamos sobre como constru\u00edmos nossas rela\u00e7\u00f5es com outros grupos que n\u00e3o se distanciam mais ou menos do nosso projeto pol\u00edtico. A intera\u00e7\u00e3o com partidos pol\u00edticos, por exemplo, foi debatida com bastante \u00eanfase: eventualmente, em lutas especificas, podem ser aliados estrat\u00e9gicos? Ou estamos de fato construindo um projeto pol\u00edtico oposto, j\u00e1 que nos queremos destruir o Estado e eles querem tom\u00e1-lo? Acima de tudo, como nos relacionarmos com eles sem sermos modificados por uma estrutura e um tipo de pratica que \u00e9 oposto \u00e0s nossas? Essa discuss\u00e3o se assemelha um pouco com a j\u00e1 feita sobre a autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao Estado e se aplica tamb\u00e9m a outras organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es, como ongs por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Sobre Organiza\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/em><\/strong>A discuss\u00e3o sobre organiza\u00e7\u00e3o surgiu de algumas encruzilhadas que encontramos em nossa caminhada. Discutimos in\u00fameras vezes se dever\u00edamos seguir em nossas lutas somente a partir das pautas com que trabalhamos ou se dever\u00edamos fortalecer os grupos organizados que se vinculam a diferentes pautas desde uma luta espec\u00edfica. Ao mesmo tempo que nos juntarmos s\u00f3 a partir de pautas nos torna manipul\u00e1veis pelos setores articulados que tem estrat\u00e9gias mais definidas, muitos grupos perdem sua capacidade de aglutinar pessoas e sobrevivem como zumbis de afinidades ou formas burocratizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>Assim, temos acordo sobre a necessidade das organiza\u00e7\u00f5es autonomistas para desenvolver as lutas. Por\u00e9m o elemento de vida desta organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser s\u00f3 suas trajet\u00f3rias, conquistas e pessoas: deve-se adicionar, fundamentalmente, as id\u00e9ias que s\u00e3o caracter\u00edsticas do movimento, em forma de planos de a\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gias.\u00a0 Assim, a organiza\u00e7\u00e3o deve ser um tanto formal, possibilitando que quem tenha acordo com as id\u00e9ias da luta se aproxime dela, ainda que n\u00e3o tenha &#8211; ou n\u00e3o queira ter &#8211; grandes rela\u00e7\u00f5es pessoais e intimas com os demais companheiros\/as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>Entramos ent\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o complicada, pois uma das caracter\u00edsticas marcantes das organiza\u00e7\u00f5es e discursos do movimento aut\u00f4nomo \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o das formas de organiza\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssicas vinculadas aos movimentos sociais tradicionais. Ao mesmo tempo o movimento \u00e9 herdeiro direto das discuss\u00f5es sobre organiza\u00e7\u00e3o que marcaram as lutas existentes na hist\u00f3ria. \u00c9 um paradoxo curioso: ao mesmo tempo que negamos estas organiza\u00e7\u00f5es tradicionais, muito do que sabemos sobre organiza\u00e7\u00e3o partiu delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dimens\u00e3o l\u00fadica t\u00e3o importante para n\u00f3s, por exemplo, existe na hist\u00f3ria de formas semelhantes e muito diferentes das nossas. Nossa ret\u00f3rica \u00e9 bastante l\u00fadica, mas seria isso uma novidade? Outro ponto, bastante pol\u00eamico \u00e9 sobre a organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. O que devemos negar e o que devemos adaptar da forma de luta partid\u00e1ria? A dimens\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de vanguarda do movimento \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o a priori? Qualquer especializa\u00e7\u00e3o e distin\u00e7\u00e3o de habilidades \u00e9 equivocada? Esta discuss\u00e3o n\u00e3o acabou&#8230;<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Sobre o Anticapitalismo<\/em><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/em><\/strong>Para que serve o movimento aut\u00f4nomo? Ele luta por reformas sociais ou por uma revolu\u00e7\u00e3o geral? At\u00e9 onde v\u00e3o as lutas? Como lutar contra o estado e capital sem legitim\u00e1-los? A quest\u00e3o debatida \u00e9 corrente e influi diretamente em nossa forma de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Movimento Aut\u00f4nomo do DF surgiu como uma forma de lutar pela destrui\u00e7\u00e3o do sistema social em que vivemos; igualmente este movimento inaugura pr\u00e1ticas que apontam para o tipo de sociedades que almejamos construir. Esta d\u00favida entre a dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do sistema social vigente e a constru\u00e7\u00e3o de outro tipo de sociedade esteve bastante presente em nossas discuss\u00f5es. Ter o fim desta sociedade como horizonte \u00e9 um passo importante para sabermos que caminho trilhar sem nos perdermos. Definirmos tamb\u00e9m o que queremos ao futuro \u00e9 fundamental para sabermos aonde queremos chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nomeamos este sistema como Capitalismo e, portanto, somos Anticapitalistas. Temos tr\u00eas entendimentos presentes deste anticapitalismo que convivem em nosso meio: um primeiro do anticapitalismo vinculado \u00e0s correntes oper\u00e1rias, cr\u00edtico da sociedade baseada na propriedade privada, livre concorr\u00eancia de mercado e no trabalho assalariado. Al\u00e9m disso temos influencia das cr\u00edticas ao capitalismo de estado dos estados sovi\u00e9ticos, onde sob bandeira supostamente socialista, gestores dominaram &#8211; em seu proveito &#8211; a propriedade p\u00fablica por meio do estado. Por fim tamb\u00e9m nos influencia bastante a constitui\u00e7\u00e3o do anticapitalismo desde a converg\u00eancia de diversas lutas como as ambientais, \u00e9tnicas, feministas, oper\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundamentalmente, este anticapitalismo est\u00e1 ancorado nas vidas que desenvolvemos e vemos no mundo ao nosso redor. Estas resist\u00eancias manifestam-se de diferentes formas e devemos nos organizar a partir delas, rumo a uma perspectiva geral. N\u00e3o nos vinculamos nem buscamos insistir numa chata, desagrad\u00e1vel e vaidosa oposi\u00e7\u00e3o entre movimentos classistas e identit\u00e1rios. Trabalhamos com as diversas vertentes dentro do campo revolucion\u00e1rio que tem essas dimens\u00f5es que elencamos, buscando uma articula\u00e7\u00e3o. Esta perspectiva deve balancear nossas pr\u00e1ticas e a\u00e7\u00f5es do grupo quando vamos decidir por onde agir e qual nossa estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abaixo segue a proposta de sistematiza\u00e7\u00e3o do Encontro de Grupos Aut\u00f4nomos do DF de 2012 (EGA). Ponto inicial para a reuni\u00e3o p\u00f3s-EGA marcada para o dia 30\/06\/2012 (S\u00e1bado). Ed. Baracat, sala 111 CONIC, \u00e0s 15 horas. 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